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People die of exposure

Vi ontem no Hambuger Bahnhof, aqui em Berlim, uma boa quantidade de obras de Bruce Nauman. Conhecia pouco do seu trabalho. Apenas algo por meio de livros ou obras esparsas na net e, confesso, não atentava muito ao que sacava. Percebê-lo no museu, com calma, e sentindo o seu percurso ao longo dos anos, foi essencial, uma experiência marcante.

Nauman se infiltra com maestria entre as dinâmicas do corpo e do video – como se buscasse a (in)exatidão da máscara e do corpo humano, como se visse nos limites do enquadramento algumas formas para conotar o aprisionamento do corpo. Creio que seus trabalhos inauguram uma química linda entre a performance e a câmera; uma interação que foge do “documental” e do mero registro para procurar a câmera como um espaço simbólico e imaginário onde a performance se multiplica.

Neste “Art Make-Up”, que posto aqui (e que, pela qualidade da “cóopia”, é melhor vê-lo com o som baixo), temos a mesma imagem projetada em quatro paredes de um “quarto”: o espectador fica no meio, no epicentro dessa auto-maquiagem – onde todas as forças da imagem convergem e dissolvem o domínio do olhar típcio do espectador clássico do cinema (e do cinema clássico). Estar cercado pela mesma imagem, e uma imagem “pobre”, que não leva a contemplação, tende a ser perturbador. É neste jogo entre o espaço, o corpo, a câmera e o olhar que a obra de Nauman acontece.

The consummate mask of rock, 1975

1. This is my mask of fidelity and truth

2. This is to cover the mask of pain and desire

3. This is to mask the cover of need for human companionship

4. This is to mask the cover

5. This is to cover the mask

6. This is the need of cover

7. This is the need of the mask

8. This the mask of cover of need.

Nothing and no.

9. No thing and no mask cover the lack, alas.

10. Lack after nothing before cover revoked.

11. Lack before cover

paper covers rock

rock breaks mask

alas, alack.

12. Nothing to cover

13. This is the

13. This the mas to cover my infidelity to truth.

14.

13. This the mask to cover my infidelity to truth

(This is my cover)

14.  This is the need for pain that contorts my mask conveying the message of truth and fidelity to life.

15.  This is the truth that distorts my need for human companionship.

16.  This is the distortion of truth masked by painful need.

17. This is the mask of my painful need distressed by truth and human companionship

18. This is my painless mask that fails to touch my face but floats before the surface of my skin my eyes my teeth my tongue.

19. Desire is my mask

(Musk of desire)

20. Rescind desire

cover revoked

desire revoked

cover rescinded

21. PEOPLE DIE OF EXPOSURE

(Bruce Nauman, 1975)

Acho curiosa – quando não apenas irônica e triste – essa distinção entre cinema e videoarte. É a linguagem quem perde com essas categorias. Não podemos nem devemos nos pautar por essas definições institucionais e por essas convenções. O cinema não é somente narrativo. Nem a videoarte deve pertencer única e exclusivamente aos museus. Uma certa miopia institucional nos influencia e obstrui nosso senso para com obras que nos convidam simplesmente a ver, ouvir, sentir e ler. Todo esse debate que Nauman trouxe há trinta anos parece novo hoje, quando chega a TV e aos filmes documentários. Na verdade foram os “homens de cinema” que não souberam como lidar com esse debate quando ele surgiu, quando contemporâneo, insurgente e inquieto… . Ainda tenho certa gastura ao ler a expressão “cinema expandido”, que é como a academia classifica essa tal “videoarte”. Fico com uma pergunta:  quem, afinal, limitou o cinema?

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