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Valsa com Bashir e Mauss

Publiquei um artigo em que analiso o famoso documentário-animação autobiográfico de Ariel Folman na revista Doc on Line. Valsa com Bashir: experiência, memória e guerra, eis o título do dito. Nele, tento analisar um pouco do discurso autobiográfico que habita esta animação. Também faço um paralelo com o conceito de pós-memória e remeto ao HQ Mauss, de Art Spiegelman, que talvez seja um dos principais best sellers da breve e intensa história das graphic novels.

O artigo ficou um pouco extenso e não caberia publica-lo neste blog. Quem quiser lê-lo na íntegra, e tal como editado na revista, pode fazer o download aqui:Valsa com Bashir: experiência, memória e guerra

Também vale a pena conferir os outros artigos da Doc on Line. Editada em Portgual, e com colaboradores  que escrevem em inglês, francês, português e espanhol, a revista possui um certo pendor acadêmico e traz informações preciosas da atual produção e reflexão sobre docs contemporâneos. Este número é dedicado `a artigos sobre documentários subjetivos ou autobiográficos como Tarnation e Serras da Desordem. Fica a dica.

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imaginar o que já vivemos

-Valsa com Bashir de Ariel Forman

Num primeiro momento, um documentário que também é uma animação pode soar como algo estranho. Talvez porque o documentário ainda carregue consigo um imaginário: o fardo de representar a realidade, a verdade ou algo essencialista de peso semelhante. Nada mais distorcido.

Valsa com Bashir, do israelense Ari Folman, chegou em 2009 para incendiar um pouco mais esse debate. Afinal, se ele mesmo viveu aquilo que está em seu filme por que não representa-lo como uma  animação? Em questão: a liberdade do artista, que é bem mais importante que a função esperada de um documentarista.

O mais interessante é o mote do filme. Ariel Forman – o autor-diretor- personagem – tenta encontrar parte de sua memória pessoal que, como um trauma, apagou-se da sua mente. Nesse sentido, a animação ganha um outro aspecto, torna-se uma forma para recuperar imagens que não mais existiriam na memória pessoal ou coletiva, imagens de guerra, imagens horríveis, que desapareceram e, num paradoxo, só podem ser imaginadas. Por isso, a experiência e a memória transformam-se num amálgama no qual a imaginação é o elemento preponderante.

A escolha de Forman por uma animação tampouco é casual. A violência da guerra, por ser mostrada de forma bela e animada, adquire um aspecto lúdico, cria uma aproximação com o espectador o que acaba por tornar a realidade bélica ainda mais assustadora. Essa estratégia tem efeito, pois Forman criou um impactante documentário sobre a guerra entre Israel e o Líbano.

Talvez estejamos vivenciando uma revisão profunda da mimese, da forma de representarmos a realidade. Como arte impura que é, o cinema tem um protagonismo nessa transformação. Talvez  a sétima arte esteja finalmente deixando de lado os conceitos de representação e mimese que herdou do século XIX, que, por sua vez, orientaram o cinema clássico. Valsa com Bashir pode ser apenas um dos exemplos do que doravante veremos com mais freqüência.

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