David Foster Wallace

Rhythms are relations between what you believe and what you believed before.

Essa frase é de David Foster Wallace (1962 – 2008), um escritor americano contemporâneo de forte influência modernista. Um dos mais hypes atualmente. Virou uma certa febrinha nos states. Para variar, foi pouco traduzido em português e encontramos aqui apenas o seu livro de contos Brief Interviews with hideous men.  Justamente o que li e sobre o qual comentarei um pouco aqui.

Com um estilo que busca o fluxo da linguagem e do pensamento, Wallace realiza um retrato mordaz da sociedade americana, ironizando as paranóias, o individualismo, as manias, o cinismo, a superficialidade, a falta de laços (afetivos, familiares, profissionais), a doideira que a psicanálise instila em qualquer sujeito.

Chamo a atenção para o conto The depressed person, que mostra, a partir da perspectiva do próprio “paciente”, como é construído o estigma da depressão. Paulatinamente, os psiquiatras e psicanalistas tornam-se mais indutores dos sentimentos depressivos do que propriamente cúmplices. Uma depressão construída, compartilhada, interiorizada, que vem de fora para dentro.

A prosa de Wallace flui com ritmo e inteligência. Seus personagens são tipos, quase tão insignificantes como os de Kafka. Sem nomes, sem história. Com muito pouco a dizer. Wallace foca nas relações. E, sobretudo, nos seus hiatos, como no conto Adult World que registra as peripécias de uma mulher recém-casada. Agoniadíssima, ela crê, ela tem certeza que seu marido não possui prazer sexual com ela. Daí, claro, pira.  Passa a peregrinar em sex shops treinando-se para um prazer mais “pro”. Algo próximo, embora ao avesso, do que fez Michael Haneke com sua “Professora de Piano”.

Wallace possui uma grande influência das ciências naturais. Escreve com precisão e raciocínio matemático e é adepto de uma corrente filosófica bem pragmática conhecida como fatalista. Separei um artigo sobre a obra dele que sai no New York Times. Você pode conferi-lo AQUI

Como a melhor maneira de conhecer um escritor novo é lê-lo e conversar diretamente com ele, deixo abaixo o orginial do conto de abertura do livro Brief Interviews with hideous men:

*   *   *

A radically condensed history of postindustrial life

When they were introduced, he made a witticism, hoping to be liked. She laughed extremely hard, hoping to be liked. Then each drove home alone, staring straight ahead, with the very same twist to their faces.

The man who’d introduced them didn’t much like either of them, though he acted as if he did, anxious as he was to preserve good relations all times. One never know, after all, now did one now did one now did one.

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